quinta-feira, 10 de junho de 2010

Casamento - Fabrício Carpinejar

Oi gente.

To enrolada essa semana. Viajo a trabalho na semana que vem e tenho ficado até bem tarde no escritório.
Chego em casa morta e sem muita criatividade para escrever algo interessante para vocês.

Ainda bem que tenho amigas, que me presenteiam com lindas mensagens.

Ontem foi a vez das dicas da Carla e hoje vai ser um lindo texto do Fabrício Carpinejar enviado pela Renata.

O melhor de tudo foi que esse texto chegou num dia em que eu acordei me perguntando onde tinha ido parar a expectativa de encontrar o Rodrigo, o coração acelerado, as mãos suadas e todo o resto que é típico da paixão... Esse texto me esclareceu tudo.

"Os casais que moram juntos não entendem o quanto são felizes. Como é fácil selar a paz dormindo na mesma cama. Uma hora vão suspirar de ternura no meio da madrugada ou esticar o braço ao longo do outro corpo e recompor a distância.

Fácil, fácil, por isso a proximidade é desprezada.

Durante o namoro, é preciso avisar, marcar hora, entrar em acordo. A conversa segue um ritmo nervoso, um atentado violento ao pudor, que logo esbarra numa reclamação e suspeita.

Tanto que os namorados, ao se encontrarem, não têm direito de trabalhar ou se isolar em seus passatempos. É um insulto. Compreendido como um desinteresse. Um dos dois se enxergará preterido, seja pela televisão, seja pelo computador.

Os casados não aparecem, estão lá, com a chance permanente de comover.

O corredor é o pressentimento do abraço. Não há urgência em finalizar um assunto, nem a obrigação de ser amoroso. É bater papo com ela enquanto toma banho, é servir café para brindar os dentes, é arrumar suas coisas para ganhar tempo.

Os casados estão despertos ao cuidado. Será simples surpreender, basta reparar que acabou a granola dela e trazer um novo pacote do mercado. Com certeza, os grãos formarão um buquê na xícara.

No namoro, qualquer mimo é previsível, uma chantagem. No casamento, toda lembrança é inesperada, uma gentileza.

Não coloquei nada fora em mim porque poderia usar como enxoval no futuro."

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