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Como vocês sabem, perdi meu cachorrinho na época dos preparativos do casamento.
Desde então minha opinião sobre ter outro ou não era muito
dividida.
E muito bom ter um filho de quatro patas em casa, mas quando
a velhice vem chegando sofremos diariamente.
Assim como o relógio da maternidade chega, o relógio canino
chegou para mim. Não sabia falar em outro assunto sem ser esse.
Na lista de presentes de natal, ele era minha primeira opção
e o marido era firme e decidido ao dizer que não queria um cachorro agora.
O fim do ano foi chegando e um dia o marido me ligou pedindo
para ir buscar ele em uma confraternização. Boa esposa que sou, lá fui eu.
Chegando lá ainda fui convidada a entrar e participar da
festa o que me possibilitou a conversa com as amigas de trabalho dele.Uma delas assim que eu cheguei, cochichou com outra que logo respondeu “Camila, isso você não pode falar”. Neurótica, eu? Claro que pensei que o marido tinha aprontado alguma na festa e eu estava lá com cara de boba.
Logo perguntei do que elas estavam falando e a resposta foi que era segredo, para mim, e elas não podiam contar. Depois de muito insistir elas disseram que era sobre o meu presente de natal, mas que eu só saberia no dia.
Assim que entrei no carro, comecei o interrogatório com o marido,
que me garantiu não saber o que elas estavam falando, e garantiu também que
elas não tinham ideia do que seria meu presente.
Pulga atrás da orelha!!!No dia seguinte o Rodrigo foi ao shopping e chegou em casa com uma caixa vermelha com um laçarote dourado. Disse que meu presente estava ali e que eu não poderia mexer porque senão pelo peso eu descobriria o que é.
Obvio que assim que ele foi para o quarto eu fui la sacudir
a caixa. A impressão que tive é que ou ela estava vazia, ou o presente cabia
nela certinho, já que não fazia um barulhinho.
Os dias foram passando e minha curiosidade aumentando, até
que no sábado antes do natal, quando chego em casa vejo minha caixa de presente
aberta.O Rodrigo disse que não ia poder esperar o natal e que eu ia ter que receber naquela hora. Pediu-me para ir para o nosso quarto pois ele ia reembrulhar.
Logo pensei que era algum eletrônico que ele tinha comprado
sem garantia e viu que estava com defeito e precisava trocar...sei lá. Entrei
no quarto e fiquei esperando o ok para sair.
Qdo ele disse que podia ir para a sala ainda perguntei
“Amor, tem certeza? Natal já é semana que vem. Da para esperar.” Mas ele foi
certeiro e disse que tinha que ser naquela hora e me mandou seguir ate a sala.
Quando cheguei na sala, lá estava ele.
Lindo, sentadinho, parado ao lado do sofá me olhando. Não
consegui segurar a emoção.
Chorei, abracei meu filhote, agradeci muito, mas muito o
marido por mais aquela declaração de amor.
O Rodrigo disse que o nome dele era Jururu, porque ele tinha
carinha de triste, mas eu no dia seguinte batizei ele de Brutus (o rival do
Popeye).
Estava radiante, nossa família tinha crescido.
Créditos: Fotos Gustavo Bretas


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