segunda-feira, 16 de abril de 2012

Meu presente de natal

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Como vocês sabem, perdi meu cachorrinho na época dos preparativos do casamento.

Desde então minha opinião sobre ter outro ou não era muito dividida.
E muito bom ter um filho de quatro patas em casa, mas quando a velhice vem chegando sofremos diariamente.

Assim como o relógio da maternidade chega, o relógio canino chegou para mim. Não sabia falar em outro assunto sem ser esse.
Na lista de presentes de natal, ele era minha primeira opção e o marido era firme e decidido ao dizer que não queria um cachorro agora.

O fim do ano foi chegando e um dia o marido me ligou pedindo para ir buscar ele em uma confraternização. Boa esposa que sou, lá fui eu.
Chegando lá ainda fui convidada a entrar e participar da festa o que me possibilitou a conversa com as amigas de trabalho dele.

Uma delas assim que eu cheguei, cochichou com outra que logo respondeu “Camila, isso você não pode falar”. Neurótica, eu? Claro que pensei que o marido tinha aprontado alguma na festa e eu estava lá com cara de boba.

Logo perguntei do que elas estavam falando e a resposta foi que era segredo, para mim, e elas não podiam contar. Depois de muito insistir elas disseram que era sobre o meu presente de natal, mas que eu só saberia no dia.

Assim que entrei no carro, comecei o interrogatório com o marido, que me garantiu não saber o que elas estavam falando, e garantiu também que elas não tinham ideia do que seria meu presente.
Pulga atrás da orelha!!!

No dia seguinte o Rodrigo foi ao shopping e chegou em casa com uma caixa vermelha com um laçarote dourado. Disse que meu presente estava ali e que eu não poderia mexer porque senão pelo peso eu descobriria o que é.

Obvio que assim que ele foi para o quarto eu fui la sacudir a caixa. A impressão que tive é que ou ela estava vazia, ou o presente cabia nela certinho, já que não fazia um barulhinho.
Os dias foram passando e minha curiosidade aumentando, até que no sábado antes do natal, quando chego em casa vejo minha caixa de presente aberta.

O Rodrigo disse que não ia poder esperar o natal e que eu ia ter que receber naquela hora. Pediu-me para ir para  o nosso quarto pois ele ia reembrulhar.

Logo pensei que era algum eletrônico que ele tinha comprado sem garantia e viu que estava com defeito e precisava trocar...sei lá. Entrei no quarto e fiquei esperando o ok para sair.
Qdo ele disse que podia ir para a sala ainda perguntei “Amor, tem certeza? Natal já é semana que vem. Da para esperar.” Mas ele foi certeiro e disse que tinha que ser naquela hora e me mandou seguir ate a sala.

Quando cheguei na sala, lá estava ele.
Lindo, sentadinho, parado ao lado do sofá me olhando. Não consegui segurar a emoção.

Chorei, abracei meu filhote, agradeci muito, mas muito o marido por mais aquela declaração de amor.
O Rodrigo disse que o nome dele era Jururu, porque ele tinha carinha de triste, mas eu no dia seguinte batizei ele de Brutus (o rival do Popeye).

Estava radiante, nossa família tinha crescido.


Créditos: Fotos Gustavo Bretas

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